MARTE: APROXIMAÇÃO HISTÓRICA

 

Paulo Melo Sousa*

 

Publicado no Diário da Manhã, São Luís – MA em 27/08/2003.

 

O planeta Marte é o quarto em ordem de afastamento do Sol. Recebeu esse nome graças à sua coloração avermelhada (daí ser chamado de planeta vermelho), provocada pela grande quantidade de óxido de ferro presente em sua superfície e que fica em permanente suspensão na atmosfera, por conta das constantes movimentações dos ventos que varrem esse astro. Como a cor vermelha se relaciona ao sangue, os gregos o batizaram de Ares, o deus da guerra entre os helenos. Posteriormente, os romanos adotaram os deuses da Hélade e latinizaram seus nomes. Dessa forma, Zeus se tornou Júpiter, Kronos se tornou Saturno, e Ares acabou se tornando Marte.

 

Trata-se de um planeta que se aproxima de algumas particularidades da Terra. Encontra-se na chamada “faixa de tolerância”, na qual um corpo celeste poderia abrigar vida, em nosso sistema planetário, em decorrência da quantidade de luz e calor que recebe do Sol. Por outro lado, é bem menor que a Terra (com 6.800 Km  de diâmetro, contra os 12.720 Km do nosso planeta), sua atmosfera é muito rarefeita, composta na maior parte por gás carbônico, pouquíssimo vapor d’água e quase nenhum oxigênio. Possui 2 satélites, Fobos e Deimos ( com 8 e 12 Km de diâmetro, respectivamente).

 

A época mais favorável para a observação de Marte é no momento em que ele se encontra, juntamente com a Terra, do mesmo lado do Sol. Isso acontece quando esses três astros se alinham, estando a Terra ao centro do alinhamento. Dessa maneira, o Sol e Marte estarão em pontos opostos, fenômeno astronômico conhecido como oposição. Nessas ocasiões, Marte nasce no horizonte leste da Terra por volta das 18 horas, quando o Sol se põe. À meia-noite está próximo ao zênite (o ponto celeste acima das nossas cabeças) e desaparece às 6 horas da manhã, quando o Sol reaparece.

 

As oposições ocorrem de dois em dois anos, mas nem todas são propícias pelo fato de que as órbitas dos planetas são elípticas, e não circulares (descoberta feita pelo astrônomo alemão Johannes Kepler – 1671 / 1630), e embora os astros possam se encontrar nesse momento do mesmo lado das suas órbitas em relação ao Sol, não estarão sempre totalmente alinhados. As ocasiões mais favoráveis, quando a distância Terra-Marte é menor, ocorrem quando o planeta vermelho está no periélio (ponto mais próximo do Sol) ou nas suas proximidades, assim como a Terra. Essas oposições periélicas, como são conhecidas, acontecem geralmente nos meses de agosto ou setembro.

 

Marte esteve, num passado recente, em oposições periélicas singulares (56 milhões de Km, em 1956; 57 milhões de Km em 1971 e 60 milhões de Km em 1986). Neste ano de 2003, o planeta atingirá o ponto de oposição às 13 horas do dia 28 de agosto. Contudo, a máxima aproximação com a Terra acontecerá hoje, 27 de agosto. Exatos 57.758 milhões de km. Tal aproximação é singular. Na verdade, trata-se de fenômeno raro, já que tal possibilidade ocorreu pela última vez há 59.540 mil anos atrás, ou seja, sem registro histórico.

 

Recentes observações, realizadas pela sonda espacial norte-americana “Odissey”, que monitora o planeta vermelho há um ano, tem obrigado os cientistas a reformularem várias teorias acerca do clima de Marte. Foram detectadas formações geológicas de lava e rocha que se depositaram sobre o planeta sob as mais diversas condições ambientais. Exemplos representativos são as camadas rochosas quilométricas esculpidas pelo vento. Segundo os cientistas, se Marte não tivesse atividade significativa, tais formações deveriam estar recobertas por areia e pó, o que não é o caso.

 

Utilizando-se um moderno telescópio refletor (inventado por Isaac Newton e que funciona à base de espelhos, o que favorece a qualidade da imagem dos astros), será possível discernir as calotas polares marcianas, compostas por dióxido de carbono congelado – o famoso gelo seco, o mesmo que se forma nos congeladores das geladeiras.

 

Uma observação pública acontecerá nesta quinta-feira (28 de agosto), a partir das l9 horas, na Praia Grande, Centro de São Luís, numa promoção da Sociedade de Astronomia do Maranhão - SAMA, após palestra sobre o planeta Marte proferida pelo escritor e presidente da entidade, Paulo Melo Sousa. A SAMA é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, criada a 16 de dezembro de 1976, e é de utilidade pública municipal; visa divulgar a Astronomia através de cursos, seminários, palestras e observações.

 

 

Paulo Melo Sousa é poeta, jornalista, e presidente da SAMA