DIA DA TERRA OU DIA DOS HOMENS?
27/04/2007
O planeta Terra, no qual habitamos, formou-se a
partir de matéria expelida pelo sol há 4.5 bilhões de anos. Abrigando água,
provavelmente trazida por cometas que se chocaram
contra ela há milhões de anos atrás, tornou-se um paraíso no qual a vida se
tornou possível. No Sistema Solar, a Terra órbita o sol, essa pequena estrela
amarela que já está na metade da sua vida, numa faixa de espaço localizada
entre as órbitas dos planetas Vênus (mais conhecida pelo leigo como Estrela
D’Alva ou Estrela Vésper ou do Pastor, dependendo da sua posição em relação à Terra) e Marte. Somente nesta faixa a temperatura gerada
pela emissão dos raios solares se torna propícia ao aparecimento da vida como a
conhecemos, tanto de origem animal quanto vegetal.
A vida se desenvolveu neste planeta apresentando as
mais bizarras formas. Seres vivos surgiram, evoluíram e se extinguiram ou foram
extintos antes que a espécie humana sequer sonhasse em se tornar uma promessa.
Esse foi o caso dos dinossauros, que dominaram o planeta durante 200 milhões de
anos e desapareceram em virtude de um desastre fenomenal, um bombardeio
de meteoritos que cobriu de poeira a atmosfera terrestre, impedindo a passagem
da luz do sol e inviabilizando a permanência de seres de grande porte sobre a
sua superfície. Após essa “limpeza” cósmica forçada, novas formas puderam
se desenvolver e povoar novamente de vida o planeta. Foi nesse contexto que
apareceram os primeiros ancestrais do homem, protótipos de uma espécie que mais
tarde seria denominado de Homo Sapiens. Desses primeiros ancestrais
desenvolveu-se o homem como o conhecemos hoje, a espécie tida como a mais
inteligente já surgida neste planeta e, a o mesmo
tempo, a mais violenta de todas elas.
Os menos avisados podem supor que estaríamos
exagerando, mas todos os outros animais considerados predadores matam para se
alimentar, desempenhando assim um papel de fiel da balança com relação ao
equilíbrio ecológico. O homem mata não somente para se alimentar, mas para ganhar
dinheiro e, nessa ambição desmedida, mata o próprio semelhante, às vezes
exercitando os limites da crueldade. Trata-se de um karma.
Como já dizia Kafka, o homem é um ser que almeja as paragens do céu, mas, fatidicamente, existem
grilhões que ainda o prendem à terra, à lama do qual foi soprado, segundo os
preceitos bíblicos. Essas algemas espirituais são responsáveis pela sua própria
derrota, e podem levar a espécie humana à destruição.
No último dia 22 de abril foi comemorado em todo o
mundo o dia da Terra, surgido no ano de 1970, quando o então Senador
norte-americano Gaylord Nelson convocou o primeiro
protesto nacional contra a poluição nos Estados Unidos. A partir de 1990,
devido à proximidade da ECO 92, conferência global
realizada no Rio de Janeiro, em 1992, para discutir a saúde ambiental do
planeta, outros países mundo afora, inclusive o Brasil, adotaram a data para
exercitarem um momento de reflexão sobre o assunto.
Hoje, 6 bilhões de pessoas
habitam o planeta Terra, que na verdade possui 97% de água compondo a sua massa
total, e a expectativa de vida, nos patamares atuais, em todo o mundo, é de 65
anos. Todo esse contingente populacional provoca uma pressão enorme sobre os
ecossistemas da Terra, tanto direta quanto indiretamente. A quantidade de lixo
diária produzida por cada ser humano aumenta a cada dia
devido ao consumo exagerado e a uma falta de consciência ambiental equilibrada.
Indiretamente, milhares de hectares de mata nativa são destruídos anualmente
para dar origem às pastagens, pois todo esse povo precisa comer. Não há como
não poluir, é evidente. Mas ter consciência ambiental, nos dias de hoje,
significa poluir pouco, e reciclar tudo o que se consome. O mais importante de
tudo, no entanto, é a reciclagem das próprias idéias, pois é necessário, com
urgência, que o homem modifique o seu comportamento em relação ao meio
ambiente. Diante dos mais recentes relatórios da ONU sobre as mudanças
climáticas, percebemos que a Terra, este oásis cósmico por nós habitado está
pedindo socorro. Ironicamente, justamente o Homo Sapiens, a única espécie viva
que tem provocado a destruição do planeta é também a
única que pode salvá-lo da morte. Tal sinuca de bico é kármica
ou não é? Alguém já disse, alhures, “o futuro do homem
será aquele que ele merecer”. O futuro da Terra, senhores, também depende dessa
provocadora e angustiante assertiva.
(*) Paulo Melo Sousa –
Jornalista, escritor, professor, ambientalista e astrônomo amador.