DIA MUNDIAL
DO MEIO AMBIENTE
09/06/2007
Em
O Clube, também denominado de “colégio invisível”, debruçou-se sobre
questões extremamente pertinentes, examinando “o complexo de problemas que
afligem os povos de todas as nações: pobreza em meio à abundância, deterioração
do meio ambiente, perda de confiança nas instituições, expansão urbana
descontrolada, insegurança de emprego, alienação da juventude, rejeição de
valores tradicionais, inflação e outros transtornos econômicos e monetários”.
Hoje, passados quase 40 anos do primeiro encontro do grupo, tais questões
permanecem desgraçadamente atuais.
Os estudiosos
chegaram à conclusão de que existem 5 fatores que
limitam o crescimento (super-população, produção agrícola, recursos naturais,
produção industrial e poluição). As previsões desalentadoras provocaram
declarações preocupantes, como as do então Secretário-Geral da ONU, U Thant que, em 1969, afirmou que “não desejo parecer
excessivamente dramático mas, pelas informações de que
disponho..., só posso concluir que os membros das Nações Unidas dispõem talvez
de dez anos para controlar suas velhas querelas e organizar uma associação
mundial para...melhorar o ambiente humano, controlar a explosão demográfica e
dar às tentativas de desenvolvimento o impulso necessário. Se tal associação
mundial não for formada..., então será grande o meu temor de que os problemas
que mencionei já tenham assumido proporções a tal ponto estarrecedoras que
estarão além da nossa capacidade de controle”. Outro grande passo em termos de
alerta global para o assunto foi deflagrado em 1987, por intermédio do chamado Relatório Bruntland.
Esse documento foi
elaborado pela Comissão Mundial sobre o
Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pela ONU e presidida pela então
Primeira-Ministra da Noruega, Gro Bruntland.
No varejo, o relatório exercitou uma visão crítica sobre o modelo de
desenvolvimento adotado pelas nações industrializadas e imitado pelos países em
desenvolvimento, no qual o uso excessivo dos recursos naturais foi denunciado
como prática daninha. Tal procedimento não leva em conta a capacidade de
sobrevivência dos ecossistemas. O Relatório inaugurou o termo desenvolvimento sustentável, definido
como aquele “que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a
capacidade das futuras gerações de satisfazer as suas próprias necessidades”.
Cinco anos depois foi realizada a ECO-92, encontro que
gerou a Agenda 21, documento que estabeleceu a importância do comprometimento
local e global de cada país com a questão ambiental, favorecendo a cooperação
no sentido de se encontrar saídas para a problemática sócio-ambiental. Tais
alertas têm sido jogados repetidamente para escanteio pelos líderes mundiais, o
que vem colocando o planeta numa desagradável sinuca de bico.
A degradação da
natureza tem relação direta com a desordem espiritual do próprio homem. O
físico David Bohm (1917/1994),
mistura caósmica
de cientista e filósofo, no seu livro A
Totalidade e a Ordem Implicada, afirma que a fragmentação do indivíduo e da
sociedade é um erro crasso que “vem ocasionando a poluição, a destruição do
equilíbrio da natureza, a superpopulação, a desordem política e econômica em
escala mundial, e a criação de um ambiente global que não é saudável”. Bohm foi um visionário que engendrou um novo paradigma,
articulado na idéia de que qualquer coisa existente abriga dentro de si a
totalidade do cosmos, entendido como amálgama indissociável entre matéria e
consciência, o contrário da fragmentação detectada. É o que nos falta neste
momento, consciência crítica, a centelha de luz coletiva que talvez nos salve
da destruição iminente. Apostar nessa idéia pode ser a única tábua de salvação
na destrambelhada aventura existencial da espécie humana.
(*) Paulo Melo Sousa –
Jornalista, escritor, professor, ambientalista e astrônomo amador.