DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

 

09/06/2007

 

Em 1972, a O.N.U. – Organização das Nações Unidas realizou a primeira Conferência sobre o Ambiente Humano, também conhecida como Conferência de Estocolmo. No evento, veio a lume uma declaração municiada com 26 princípios e um Plano de Ações que deveriam orientar as atitudes humanas, atividades econômicas e políticas de forma a garantir maior resguardo ambiental ao planeta. Em virtude da data da realização da conferência, 05 de junho, ficou instituído desde então o Dia Mundial do Meio Ambiente. O evento foi motivado pelos alertas de diversos estudiosos preocupados com a questão ambiental. Nesse sentido, cabe lembrar o surgimento, em abril de 1968, do famoso Clube de Roma, em virtude da realização de um encontro de trinta especialistas de diversas áreas – educadores, cientistas, economistas, humanistas, dentre outros – reunidos na Accademia dei Lincei, em Roma, sob a instigação do empresário industrial italiano Aurelio Peccei, visando a discussão dos dilemas presentes e futuros da humanidade.

 

O Clube, também denominado de “colégio invisível”, debruçou-se sobre questões extremamente pertinentes, examinando “o complexo de problemas que afligem os povos de todas as nações: pobreza em meio à abundância, deterioração do meio ambiente, perda de confiança nas instituições, expansão urbana descontrolada, insegurança de emprego, alienação da juventude, rejeição de valores tradicionais, inflação e outros transtornos econômicos e monetários”. Hoje, passados quase 40 anos do primeiro encontro do grupo, tais questões permanecem desgraçadamente atuais.

 

Os estudiosos chegaram à conclusão de que existem 5 fatores que limitam o crescimento (super-população, produção agrícola, recursos naturais, produção industrial e poluição). As previsões desalentadoras provocaram declarações preocupantes, como as do então Secretário-Geral da ONU, U Thant que, em 1969, afirmou que “não desejo parecer excessivamente dramático mas, pelas informações de que disponho..., só posso concluir que os membros das Nações Unidas dispõem talvez de dez anos para controlar suas velhas querelas e organizar uma associação mundial para...melhorar o ambiente humano, controlar a explosão demográfica e dar às tentativas de desenvolvimento o impulso necessário. Se tal associação mundial não for formada..., então será grande o meu temor de que os problemas que mencionei já tenham assumido proporções a tal ponto estarrecedoras que estarão além da nossa capacidade de controle”. Outro grande passo em termos de alerta global para o assunto foi deflagrado em 1987, por intermédio do chamado Relatório Bruntland.

 

Esse documento foi elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pela ONU e presidida pela então Primeira-Ministra da Noruega, Gro Bruntland. No varejo, o relatório exercitou uma visão crítica sobre o modelo de desenvolvimento adotado pelas nações industrializadas e imitado pelos países em desenvolvimento, no qual o uso excessivo dos recursos naturais foi denunciado como prática daninha. Tal procedimento não leva em conta a capacidade de sobrevivência dos ecossistemas. O Relatório inaugurou o termo desenvolvimento sustentável, definido como aquele “que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazer as suas próprias necessidades”. Cinco anos depois foi realizada a ECO-92, encontro que gerou a Agenda 21, documento que estabeleceu a importância do comprometimento local e global de cada país com a questão ambiental, favorecendo a cooperação no sentido de se encontrar saídas para a problemática sócio-ambiental. Tais alertas têm sido jogados repetidamente para escanteio pelos líderes mundiais, o que vem colocando o planeta numa desagradável sinuca de bico.

 

A degradação da natureza tem relação direta com a desordem espiritual do próprio homem. O físico David Bohm (1917/1994), mistura caósmica de cientista e filósofo, no seu livro A Totalidade e a Ordem Implicada, afirma que a fragmentação do indivíduo e da sociedade é um erro crasso que “vem ocasionando a poluição, a destruição do equilíbrio da natureza, a superpopulação, a desordem política e econômica em escala mundial, e a criação de um ambiente global que não é saudável”. Bohm foi um visionário que engendrou um novo paradigma, articulado na idéia de que qualquer coisa existente abriga dentro de si a totalidade do cosmos, entendido como amálgama indissociável entre matéria e consciência, o contrário da fragmentação detectada. É o que nos falta neste momento, consciência crítica, a centelha de luz coletiva que talvez nos salve da destruição iminente. Apostar nessa idéia pode ser a única tábua de salvação na destrambelhada aventura existencial da espécie humana.

 

 

(*) Paulo Melo Sousa – Jornalista, escritor, professor, ambientalista e astrônomo amador.